Justiça determina suspensão das atividades da Valen Fertilizantes após riscos ambientais em São Luís

A justiça reconheceu o risco iminente de danos graves à saúde pública, considerando a incerteza técnica sobre a segurança da operação de retirada dos in...

Justiça determina suspensão das atividades da Valen Fertilizantes após riscos ambientais em São Luís
Justiça determina suspensão das atividades da Valen Fertilizantes após riscos ambientais em São Luís (Foto: Reprodução)

A justiça reconheceu o risco iminente de danos graves à saúde pública, considerando a incerteza técnica sobre a segurança da operação de retirada dos insumos da empresa. A Justiça determinou a suspensão total das atividades da empresa Valen Fertilizantes & Armazéns LTDA, localizada em São Luís, até que medidas de contenção e segurança sejam adotadas para eliminar riscos ambientais. A decisão foi tomada em audiência realizada no dia 24 de março de 2026, após constatação de possíveis danos à comunidade adjacente. De acordo com a Secretaria de Estado do Meio Ambiente (SEMA), o risco de carreamento de substâncias químicas para a comunidade continua sendo uma preocupação devido à falta de infraestrutura adequada, como tanques de contenção e sistemas de drenagem apropriados. O representante da SEMA, Caco Pereira, alertou para o perigo de novos derramamentos durante a operação de retirada de aproximadamente 60 mil toneladas de material da empresa. 📲 Clique aqui e se inscreva no canal do g1 Maranhão no WhatsApp O Promotor de Justiça, Dr. Cláudio Alencar, também destacou o risco à saúde pública, relatando que durante a diligência, foi constatado o escorrimento de líquido de coloração marrom na Rua Arapapaí, o que causou ardência nos olhos. Decisão judicial e paralisação das operações Vazamento químico provoca problemas de saúde e obriga retirada de 11 famílias na zona rural de São Luís Reprodução/TV Mirante A decisão judicial, fundamentada na Lei nº 6.938/1981 e no artigo 225 da Constituição Federal, baseou-se nos princípios da prevenção e precaução. A justiça reconheceu o risco iminente de danos graves à saúde pública, considerando a incerteza técnica sobre a segurança da operação de retirada dos insumos da empresa. Com isso, foi determinada a suspensão de todas as atividades da empresa, incluindo a retirada do material armazenado, até que a SEMA ateste que as medidas de segurança foram implementadas. O juiz determinou que uma nova vistoria será realizada pela SEMA em 13 de abril de 2026. Se as medidas forem comprovadas, a operação de retirada poderá ser retomada imediatamente. Leia também: Vazamento químico provoca problemas de saúde e obriga retirada de 11 famílias na zona rural de São Luís Justiça determina medidas urgentes após vazamento químico na Vila Maranhão em São Luís Impacto na comunidade e ações de saúde Além da paralisação das atividades, a decisão também incluiu a continuidade do fornecimento de água potável à comunidade afetada pela operação da Valen Fertilizantes. A empresa será responsável pelo abastecimento diário de água mineral e pelo enchimento das caixas d'água instaladas. A empresa também promoverá um novo mutirão de atendimento à saúde para as 77 famílias afetadas, oferecendo exames clínicos e toxicológicos, conforme necessidade médica. O g1 entrou em contato com a defesa da empresa, mas não obteve resposta. Relembre o caso A Justiça do Maranhão determinou, no dia 5 de fevereiro, a adoção de medidas emergenciais em uma área afetada por desastre ambiental na região da Vila Maranhão, zona rural de São Luís. A contaminação foi provocada por vazamento de produtos químicos altamente poluentes, como sulfato de amônia e ureia, pertencentes à empresa Valen Fertilizantes e Armazéns Ltda. Relatório elaborado pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema) e pela Secretaria Municipal de Urbanismo e Habitação (Semurh) aponta que o vazamento teve origem em maquinários recém-adquiridos pela empresa, armazenados sem proteção adequada. Com as chuvas, o material tóxico foi arrastado para fora do terreno e atingiu áreas da comunidade vizinha. O documento confirma a contaminação hídrica e recomenda a retirada imediata das famílias da área afetada, considerando a permanência dos moradores perigosa e insustentável. Durante fiscalização, a Blitz Urbana constatou ainda que a empresa realizava uma obra de grande porte sem alvará de construção. A intervenção foi embargada por riscos à segurança. Também foi identificado que a canaleta de drenagem de águas pluviais não possuía sistema de tratamento, funcionando como via direta de poluição ambiental. Diante do caso, foi movida uma ação para responsabilizar a empresa pelos danos ambientais e sociais. Na decisão, o juiz Douglas Martins, da Vara de Interesses Difusos e Coletivos, determinou que a empresa providenciasse, em até 24 horas, a remoção e acomodação das famílias em hotéis ou imóveis alugados por, no mínimo, 30 dias. A delimitação da área de risco ficou sob responsabilidade da Defesa Civil e da Sema.

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